Fonte: Nubya Oliveira
Ter convicção de que está morto, de que não é humano ou ainda de que um extraterrestre colocou um chip no seu cérebro para roubar seus pensamentos podem ser sinais de esquizofrenia. Quando características como as citadas acima são somadas ao transtorno bipolar, com alterações de humor – que vão da depressão a episódios de obsessão -, tem se então um quadro de transtorno esquizoafetivo. O distúrbio é formado pela presença de sintomas de mania, acompanhados por aspectos psicóticos.
Conforme o Manual MSD Saúde, a psicose diz respeito a sintomas, como delírios, alucinações, pensamento e fala desorganizados e comportamento motor bizarro e inadequado (incluindo a catatonia) que indicam que a pessoa perdeu o contato com a realidade. Já a parte afetiva do transtorno está relacionada às emoções e ao humor.
Estima-se que a quantidade de pessoas com transtorno esquizoafetivo é pequena. Para se ter uma ideia, a esquizofrenia afeta cerca de 0,6% da população mundial. Desse total, metade é diagnosticada com o distúrbio afetivo. “O transtorno esquizoafetivo é relativamente raro. O mesmo paciente exibe sintomas do transtorno afetivo bipolar e da esquizofrenia. Para ter o diagnóstico, é preciso que os episódios sejam isolados. Tem que manifestar os sinais em momentos separados. Então é um transtorno misto, não muito comum,” explica a psiquiatra Cintia Braga.
A especialista chama atenção porque o distúrbio esquizoafetivo pode ser parecido com outros transtornos. “Ele tem características do transtorno afetivo bipolar, ou seja, presença de episódios maniformes em que a pessoa tem uma elevação do humor, fica muito eufórica, pode ter delírios de grandeza, uma agitação importante, uma aceleração do pensamento, entre outros sintomas. E tem episódios que se assemelham à esquizofrenia, ou seja, presença de delírios, alucinações, às vezes um comportamento negativo, mas isso em momentos diferentes.”
Tratamento e diagnóstico
Para o diagnóstico, o médico deve considerar que a pessoa tem um transtorno esquizoafetivo quando os sintomas de humor estiverem presentes por mais de metade da duração total da doença e ocorrerem junto a dois ou mais dos seguintes sintomas de esquizofrenia:
- Delírios
- Alucinações
- Fala desorganizada
- Comportamento evidentemente desorganizado
- Sintomas negativos (ou seja, mostrar pouca ou nenhuma emoção, diminuição da fala, incapacidade de sentir prazer, falta de interesse em relacionar-se com outras pessoas)
Em alguns casos, talvez seja necessário que o especialista faça uma avaliação em longo prazo dos sintomas da pessoa e a maneira pela qual eles progrediram para conseguir diferenciar o transtorno esquizoafetivo da esquizofrenia e dos transtornos do humor.
“O diagnóstico é feito a partir da história clínica do paciente, do que ele apresenta, com dados da história pregressa e como ele se apresenta agora. Agora o tratamento vai depender do que a pessoa está apresentando. Geralmente são indicadas medicações antipsicóticas e estabilizadoras de humor. Mas, é muito importante o acompanhamento multidisciplinar do paciente, não só com a psiquiatria, mas com psicoterapia, às vezes uma terapia ocupacional pode ajudar também,” finaliza a psiquiatra Cintia Braga.
Fonte: https://www.otempo.com.br/brasil/2024/9/10/transtorno-esquizoafetivo–entenda-o-disturbio-que-mistura-bipol